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domingo, 1 de janeiro de 2012

Uma viagem gastronômica

O trabalho em prol do ser humano é inegável quando o assunto é Casa Assistencial “Nosso Lar Amigos do Bem”. Reconhecida pela sociedade e alicerçada em bases sólidas calcadas com muito carinho, dedicação e amor ao próximo, esta empreitada tem, em sua concepção, uma filosofia muito positiva que reza: “é preciso
acreditar no ser humano e num futuro melhor”. Essa premissa por si só já seria combustível essencial para os trabalhadores da Casa ou para que qualquer pessoa siga adiante em seus propósitos.
Mas, as lindas palavras não param por aí, se traduzem na alegria, na dedicação e no sentimento de dever cumprido que toma conta das pessoas que acreditam numa sociedade melhor e que lutam por isso com abnegação e desprendimento.
E é justamente com este espírito que a Casa Assistencial lança o livro de receitas escrito pela dona Ruthinha, figura conhecida e muito bem quista na cidade. As receitas, que há muito encantam o paladar das pessoas hoje estão acessíveis e apresentadas de maneira muito didática e simples, revelando os segredos gastronômicos e incitando a imaginação dos leitores. Quem nunca comeu um “quitute” divino da dona Ruthinha e lambeu os beiços?
Além das receitas, os leitores também poderão acompanhar a própria história da Casa Assistencial, contada através das diversas fotos distribuídas, que traduzem além do bom ambiente que faz a entidade ser o que é, o contentamento dos assistidos e dos incontáveis parceiros e colaboradores, que também fazem parte dessa receita vitoriosa. As fotos ilustram o trabalho, a vida e o dia-a-dia da Casa. E foi realmente difícil escolher quais fotos fariam parte deste livro, pois cada uma tem sua peculiaridade em contar os fatos. E são tantos os trabalhadores e colaboradores que seria humanamente impossível agradecer e listar a todos. Que nosso agradecimento se traduza então por estes sentimentos aqui expostos.
Ingredientes postos à mesa. Receita de sucesso à mão. Resultado mais que conhecido: sucesso. E fica aqui uma ressalva importante. Ler o livro em busca das receitas é algo opcional. Mas, uma vez feito isso, a viagem é irremediavelmente inevitável. Então aproveite. Saboreie-se nesta viagem e contribua para a construção de um mundo melhor.

Anderson Mendes Fachina

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Music when the lights go out

O título desse post eu tomei emprestado de uma canção da boa banda indie The Libertines, mas pretendo falar aqui do show do U2, que assisti no sábado, dia 9.

Em primeiro lugar, adoro a banda, e considerei a apresentação maravilhosa, deslumbrante, mesmo. Ninguém em sã consciência discordaria. O palco impressiona desde o primeiro momento, estrutura totalmente diferente do usual, que permite uma visualização muito boa dos músicos durante todo o show, telão inovador, uma atração à parte, e os efeitos e luzes são incríveis.

Porém , tudo isso me fez refletir sobre os caminhos que levam uma banda de rock a se tornar uma “mega banda”, e as contradições que isso encerra, sobretudo em se tratando da trupe de Bono Vox. Em que momento a música já não basta para os fãs, e cada turnê tem a obrigação de ampliar e inovar na pirotecnia, para dar conta das expectativas?

Talvez o discurso de “salvador da humanidade” professado por Bono fizesse mais sentido se o U2 poupasse os milhares de watts gastos por seu mega palco, a cada apresentação, e, na tradição mais crua de toda a música de protesto que já se mostrou relevante, de Woody Guthrie a Bob Dylan (e mesmo Patti Smith, politizada ao extremo e desconhecida de muitos), protagonizasse apresentações mais intimistas, dando seu recado através de sua música, e de uma atitude mais coerente.

Pode-se ter uma postura crítica, engajada politicamente, sem sacrificar o lado artístico (arte não tem a obrigação de ser engajada, como querem muitos), e o próprio U2 consegue isso, suas canções ao menos não resvalam para uma demagogia rasteira, como acontece com muitos artistas. Já a postura do Bono há tempos ultrapassou esse limite... o cara se acha alguma espécie de estadista, parece, mas sem se descuidar dos holofotes, claro.

A mim bastaria um show acústico, sem lotar estádio, sem discursinho pseudo-humanitário. Apenas as boas canções do U2 que conheço e aprecio desde a minha adolescência. Mas parece que é um caminho sem volta... então, o que vale mais? Se se apagarem as luzes cegantes, permanecerá a força da música?

No momento em que escrevo, ouço o álbum Let England Shake, da PJ Harvey, que já considero um dos melhores do ano (se não o melhor). Conteúdo político inquestionável, com a mais alta qualidade artística, e sem grandes alardes. A quem se interessar, a faixa The Glorious Land é uma das mais contundentes canções antiguerra já feitas.

Enfim, valeu muito ter ido ao Morumbi, muita diversão, boa música, mas o U2 deveria se vender pelo que é, e pelo que oferece: entretenimento, em troca de dinheiro. Tá no mercado, é pra se vender. E aos despossuídos, as sempre sinceras palavras do Bono.

Em tempo...

Momento Mega: a entrada da banda, ao som de David Bowie.

Momento Brega: a escolher, a menina que Bono chamou para declamar a letra de Carinhoso? Ou a apressada menção às crianças assassinadas no Rio? Falando em demagogia...

Cristina dos Santos Monteiro

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Bolsonaro, Michael e a liberdade de expressão

Mais uma vez assistimos à repercussão, na mídia, de declarações racistas e homofóbicas proferidas pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Desta feita, ao ser interpelado por Preta Gil, no programa CQC, sobre qual seria sua reação se um de seus filhos se apaixonasse por uma negra, o parlamentar definiu tal relação como “promiscuidade”, assegurando que educara muito bem seus filhos, não correndo, portanto, esse “risco”.

A polêmica se instaurou instantaneamente, e o deputado, apontado como racista, refugiou-se no seu já familiar discurso homofóbico, dizendo ter entendido que a pergunta se referia a um eventual relacionamento homossexual, porque considera, sim, que ser gay é ser promíscuo.

Já no último sábado, o meio de rede Michael, da equipe do Vôlei Futuro, foi hostilizado em Contagem-MG, pelos torcedores do Cruzeiro, que, em um coro que envolvia o ginásio inteiro, gritavam “bicha”, a cada vez que o jogador tocava na bola.

O debate que aflora à luz desses acontecimentos é em torno do conceito de liberdade de expressão. Atribui-se a Voltaire a seguinte frase: “Posso não concordar com uma só palavra que disseres, mas defenderei até a morte teu direito de dizê-las”. Com efeito, o instituto da liberdade expressão é a garantia de que um cidadão pode expressar livremente seu pensamento, ainda que este seja contrário ao de outrem, ou mesmo que soe ofensivo a um indivíduo ou grupo.

Em um bom texto publicado na Folha On Line, o colunista Hélio Schwartsman evoca outro grande pensador, John Stuart Mill, para apontar os perigos da chamada “tirania da maioria”, à qual contrapõe as liberdades individuais de pensamento e expressão, destacando sua preponderância para que qualquer tema possa ser livremente discutido, sob todas as perspectivas,garantindo a dinâmica mudança/estabilidade, base da manutenção da sociedade e do Estado Democrático de Direito.

Sob essa ótica, são mesmo descabidos os clamores pela instauração de processo por quebra de decoro parlamentar, ou mesmo de processo criminal, contra Bolsonaro. Note-se, por sinal, que as usuais declarações preconceituosas do deputado quase sempre se situam no limite da generalidade, não se dirigindo a ninguém em particular, apenas expressando sua distorcida e retrógrada visão da realidade. É, aliás, salutar saber o que vai na mente deste que, pasmem, integra a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (grifo meu) da Câmara.

Já no caso do jogador de vôlei, cabe citar mais uma vez Stuart Mill, para quem a liberdade de expressão deveria ser limitada pelo princípio do dano. Daí pode-se inferir que nenhum cidadão está obrigado a aprovar , gostar ou apoiar a homossexualidade, podendo mesmo expressar-se livremente sobre isso, ainda que soe absurdo alguém arrogar-se o direito de aprovar ou desaprovar a sexualidade alheia... Entretanto, a partir do momento em que essa discordância se converte em ofensa, injúria, agressão (verbal ou física), humilhação, como ocorreu no jogo em Minas Gerais, passa-se ao terreno do dano, físico e/ou psicológico do agredido, ainda que muitos não considerem problema algum chamar de “bicha” aquele que realmente o é...

Como última observação, chamo a atenção para a fala dos bem intencionados que defendem a tolerância no esporte e em todos os meios. Louvável, mas lembro aqui que os homossexuais não são fardos a serem “tolerados”, mas seres humanos complexos e falíveis como quaisquer outros... A palavra correta, portanto, seria RESPEITO.

Cristina dos Santos Monteiro

terça-feira, 15 de março de 2011

Somos todos infantis!

Hoje aconteceu algo interessante!

Após ficar contente com os resultados que o Actívia que andei tomando tem trazido à minha vida, fui ao banheiro do trabalho, sempre muito ocupado (acho que tá todo mundo tomando actívia no trampo também) e percebi que a porta estava escorada com uma lata de solvente. E nem foi isso que achei interessante, afinal, é uma prática costumeira escorar portas com lata de solventes, não?

O que me causou um certo estranhamento foi a marca do solvente: “Solventes Anjo”. Solventes Anjo??? Como assim? Anjo? O que esse nome quer dizer? Que esse solvente é um solvente do bem? Que antes de dormir eu posso fazer uma oração para esse solvente?

E a coisa podia ficar pior: O o slogan do solvente era: “Solventes Anjo, deixando sua vida mais colorida”. WTF? Sempre pensei que os solventes tiravam a cor das coisas. Seria razoável esse slogan para a lata de tinta (que estava ao lado da de solvente), mas para um solvente? Seria esse slogan uma mensagem subliminar para me fazer inalar aquela merda e ficar doidão e ver tudo colorido? Pensando sob esse prisma, o slogan passou a ter algum sentido... Mas desisti de ficar divagando a respeito quando a maçaneta da porta foi girada e percebi que já fazia algum tempo que estava ali e tinha algum outro querendo ou usar o troninho, ou inalar o solvente...

Essa experiência com a lata de solvente causou uma impressão em mim, e levou meus pensamentos para a seguinte constatação: As empresas de Marketing tem um único objetivo, nos fazer idiotas.

A propaganda em massa foi utilizada pela primeira vez pelos Alemães, na segunda guerra mundial, para convencer a massa (entendo por massa, um agrupamento de pessoas sem identidade, sem um “rosto”) de que as práticas nazistas faziam sentido. Eles foram bem efetivos com isso.

Com o fim da segunda guerra mundial, e com os Americanos se transformando na grande potência econômica que ainda são (será que presenciaremos o fim dessa potência?) , precisavam de uma ferramenta que garantisse a realização do estado de Bem Estar Social ou Welfare State, também conhecido como American Dream. Então o que os americanos fizeram, foi se apropriar da arma alemã mais efetiva e melhorá-la muito: A Propaganda.

Ok, você pode pensar: As empresas precisam vender, nós precisamos comprar, as engrenagens da economia giram e todos ficam felizes, certo? Não acredito!

Qual é o tipo de consumidor mais afetado pelas propagandas e que desejam tudo de imediato, sem pensar no quanto custa? Se você respondeu as mulheres, foi muito machista, estou me referindo às crianças...

O que a propaganda faz com o consumidor é transformá-lo numa “criança”, na medida em que ele não consegue suportar a angústia causada pela não realização do seu desejo. Aquele sonho ilusório que aparece nas telinhas da TV, capas de jornais e revistas, folders promocionais ou pelos outdoors imensos das avenidas.

Fume Free e venha para o mundo livre.
Compromisso Actívia! Se não funcionar, a Danone devolve seu dinheiro.
Sucrilhos Kellogg’s, desperte o tigre em você.
Comemore o Natal com sua família, tomando Coca-cola.
Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles num pão com gergelim.

Enfim, somos bombardeados por esse lixo todo e nos perguntamos: Por que não experimentar? Por que não comer? Por que não comprar?

Ai nos tornamos num consumidor acéfalo, incapaz de refletir sobre a real necessidade daquele consumo.

Então é isso? As empresas de propaganda nos transformam em consumidores acéfalos que não suportam a angústia de não ter um Iphone ou Ipod, não ter um tênis Nike, etc?

O mesmo capital que cria o problema, cria a solução para os seus problemas, ai a coisa se resolve de forma simples: CRÉDITO!

Pela primeira vez, não precisamos mais lidar com a angústia de não ter nossos sonhos – nesse caso ilusórios – realizados.

Não preciso mais ficar sonhando com o carro que o Jack Bauer usa. Não fico mais sonhando com o Iogurte que a gostosa do Big Brother toma. Não preciso mais sonhar com Iphones ou Ipods, posso comprá-los, mesmo que não tenha dinheiro para isso ou que me padrão de vida não me permita...

Essa prática leve o processo de infantilização ao extremo. Fetiches tecnológicos e sonhos consumistas que nos consomem (percebe a inversão? não somos mais consumidores, somos consumidos pelos objetos do desejo) pode sem realizados de imediato.

Bem, o que tudo isso tem haver com o solvente do começo da história? Além do fato de que o departamento de marketing daquela empresa achar seus consumidores verdadeiros imbecís? Pro inferno com eles!

Krisnatágoras Araújo

sábado, 12 de março de 2011

Dia Internacional da Mulher - Sou contra!

Eis que após uma noite mal dormida, tomando minha caneca diária de café, buscando nela a coragem necessária para vestir a botina e ir para o trabalho, ligo a TV para assistir um pouco do noticiário matutino, enquanto o café não termina e me deparo com primeira notícia boa do dia: vários peitos e bundas, cuidadosamente esculpidos por magos do bisturi, todos ali, estampados na telinha mágica, jogados na minha cara, sem nenhum pudor, sem nenhum respeito pela minha sonolência matutina (que confesso ter acabado no início da matéria).
Após me deliciar com a deliciosa exposição de peitos e bundas das carnavalescas, me deparo com a primeira notícia ruim do dia: Era o Dia Internacional da Mulher. Trocaram aqueles lindos peitos e bundas (que estavam alegrando o meu início de dia) por uma mulher de meia idade, usando terninho, moderna, executiva, tipo “gerente durona”, cujo único objetivo de vida é esculachar seus subordinados homens. Uma mistura de Edinanci Silva com Margareth Tatcher.
A matéria mostrava o “sucesso” da mulher moderna. Fiquei digerindo por alguns instantes o que significava esse Dia Internacional da Mulher. Puxa vida, Dia Internacional! Não é uma data que é comemorada só em Uberlândia, em Minas e nem só no Brasil. Se é internacional, só pode ser comemorado no mundo todo.
Não estava disposto a sair cumprimentando todas mulheres que via, e para não me comprometer, cumprimentei duas mulheres: Minha namorada e a namorida de um amigo que estava preparando o almoço pra gente. Falei ainda com a minha mãe, mas me recusei a cumprimentá-la, afinal ela já tem um dia especial(que não sei se é ou não internacional), só para ela, que é o dia das mães, não é?!?!
Digerindo um pouco mais a matéria (não a das carnavalescas, a do Dia Internacional das Mulheres), percebi que ela nem citava o motivo que em todo dia 08 de março comemoramos o Dia Internacional das Mulheres. Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias, que recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas.
Continuei pensando a respeito do Dia Internacional das Mulheres, e cheguei a uma conclusão: sou contra o Dia Internacional das Mulheres.
Se nossa sociedade tipicamente paternalista reserva um dia no ano para comemorar e refletir sobre o papel da mulher em nossa sociedade, de alguma forma, significa que em todos os outros dias do ano, essa discussão é esquecida.
Poderia refletir de uma outra forma. Se existe um dia para homenagear as mulheres, indica que muitas mulheres ainda não conseguiram conquistar os direitos fundamentais. Significa que as mulheres, assim como os Negros, ainda não minorias (não em quantidade, mas em acesso aos direitos fundamentais) afinal, não temos o Dia Internacional dos Brancos ou o Dia Internacional dos Burgueses ou pelo menos o Dia Internacional do Gerente Mala. Porque não existem esses dias? Pelo fato de que brancos, burgueses e gerentes malas não são minorias (para nossa infelicidade, a menos que você seja um gerente mala o_O).
O Dia Internacional das Mulheres, como é tratado pela grande mídia (e pela massa de mulheres que se acham especiais por ter um dia internacional para elas) esconde algo fundamental: esconde as milhares de mulheres nordestinas que sofrem com a seca nos sertões, esconde as mulheres que são excluídas de direitos mínimos em regimes tirânicos como os que estão sendo derrubados no Oriente Médio e o ainda resistente Irã, esse dia escamoteia a vida dura de superação que muitas mulheres mães como a minha e a sua tiveram, escondem a história de mulheres como Louise Michel, Emma Goldman, Francisca Saperas, mulheres anarquistas que dedicaram suas vidas por uma causa.
Infelizmente, o Dia Internacional da Mulher, não lembra das Mães da Praça de Maio, argentinas que se reuniram na Praça de Maio em Buenos Aires para exigirem notícias de seus filhos desaparecidos durante a ditadura argentina.
E pior, escondem também toda insegurança que ficam por trás dos terninhos elegantes das executivas que conquistaram lugares importantes (acho que ainda tem muito espaço que precisa ser conquistado pelas mulheres no comando do mundo) mas que ainda acham que para se superarem precisam sempre ser melhores que os homens.
A comemoração do Dia Internacional das Mulheres esconde por fim, a realidade crua de que planeta é ainda, não obstante as conquistas da mulher, totalmente paternalista. A grande maioria dos que decidem o rumo do mundo, infelizmente, ainda são homens, assim como nos muitos lares, cuja família sofre com as decisões do chefe da família, que é respeitado e temido.
Enfim, para mim, a comemoração do Dia Internacional da Mulher é um grande blefe. É algo como: “Mulherada, olha só, demos um dia para vocês lembraram que queimamos mulheres numa empresa, por favor, fiquem contentes, cuidem dos nossos filhos e não roubem nossos trabalhos”.
Ficarei feliz no dia que não precisaremos mais comemorar o Dia do Negro, o Dia do Índio, o Dia do Trabalhador ou o Dia das Mulheres. Não porque deixou de ser rentável para o Comércio ou porque essas minorias caíram no esquecimento. Mas deixaremos de comemorar pelo fato de não serem mais minorias, como os Brancos, Burgueses e Homens.
Terei o prazer e dizer: Feliz dia de Nada.

Krisnatágoras Araújo

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

100 Filmes para assistir antes de assistir o 101º (PARTE FINAL)

Segue os últimos 20 filmes da lista de 100, que foi lançada em 5 partes. Sei que muitos vão concordar com vários títulos e outros vão discordar também. Como amante da sétima arte, procurei colocar na minha lista os filmes que mais me chamaram a atenção. Para mim, cada um deles tem um diferencial que os coloca onde estão. A lista completa pode ser acessada na seção "Leia também". Gostaria que os colaboradores e leitores enviassem suas preferências, aliás, a referência de outras pessoas é primordial para que conheçamos alguns títulos que escapam ao rótulo hollywoodiano, que tanto enche nossa vida. Há muitos filmes fora deste eixo que são fantásticos.
Apreciem! 

81 – A origem
82 – Irreversível
83 – Outono em Nova York
84 – Central do Brasil
85 – Austrália
86 – Deja Vu
87 – Gandhi
88 – Mar de fogo
89 – Papillon
90 – Pollock
91 – Simplesmente amor
92 – Sociedade dos poetas mortos
93 – Um cara quase perfeito
94 – Um sonho de liberdade
95 – Vick Cristina Barcelona
96 – Tempo de despertar
97 – Os embalos de sábado a noite
98 – Babel
99 – 1984
100 – Drácula de Bran Stroker

Anderson Mendes Fachina

sábado, 15 de janeiro de 2011

O caos e a reconstrução

Ansiava pelo noticiário nos primeiros dias de 2011, infantilmente esperava que o Brasil e o mundo retomassem seus olhos, ouvidos, câmeras e reportagens para o assunto predominante há exatos 12 meses atrás: o caos no Haiti. No entanto, foram poucos os minutos dedicados a notícia/tragédia velha e muitos outros mais para notícia/tragédia nova: a calamidade causada pelas chuvas na região serrana do Rio de Janeiro.

As cenas, o desespero e a contagem dos mortos narrados minuto a minuto pelos meios de comunicação, causam dor, angústia, desconforto, que normalmente tem duração até ao início da próxima telenovela, da próxima zapeada ou da malfadada “espiadinha”.

Entretanto o compromisso com a História nos faz pensar não somente no momento das tragédias, mas principalmente na reconstrução das vidas ou, melhor dizendo, na recolocação do caos em padrões socialmente concebíveis. Ainda que soe como um pensamento chavão convém crer que a necessidade de reconstrução de uma cidade, uma região ou uma nação seja encarada como uma oportunidade na busca de novos rumos ou novos fins.

O que massacra a percepção de oportunidade é a constante de sensação de indignação coletiva diante da morosidade, da indiferença ou do oportunismo doentio nesses momentos... o que dizer dos saqueadores de ajuda humanitária no Haiti, dos ladrões de casas alagadas nas cidades sitiadas do RJ e SP? Some-se aos governos e as mesmas declarações de todos os anos, tais como: “choveu em tanto tempo o equivalente a...”

Enquanto as estatísticas cumprem sua dupla jornada de informar e distanciar o problema da realidade algumas pessoas simplesmente trabalham, honram a vida do outro como se fosse a própria, nestas pessoas sobra caráter, vontade e dignidade, e é a soma destes três elementos pode fazer do caos no Haiti e no Rio de Janeiro um oportunidade para novos fins.

Leon Denis de Almeida

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A primeira mulher

Quando Cristina Kirchner tornou-se presidente da Argentina, houve, é claro, a referência ao fato de que se tratava da primeira mulher a ser eleita para o mais alto cargo do poder executivo naquele país. Não me esqueço, porém, do comentário jocoso que surgiu na imprensa de lá: não se trataria da primeira mulher presidente, mas sim da primeira “mulher de alguém” a se tornar presidente, referência clara às motivações políticas de Nestor Kirchner, que deixaria o poder sem deixá-lo realmente, passando a presidência às mãos de sua esposa. Ainda assim, algumas sutilezas contidas em tais comentários dão pistas do sexismo que ainda impera no mundo contemporâneo.

Cristina, ao tornar-se presidente, já possuía uma história de sólida atuação política, desde seus tempos de universitária; atuava como advogada e fora senadora pelas províncias de Santa Cruz e Buenos Aires. No entanto, ao ascender ao poder, já foi questionada em sua autoridade, parecia óbvio que o marido exerceria o mandato através dela. Mas, pensemos: sendo ela também uma política experiente, por que nunca surgiu essa questão de maneira inversa, por que nunca se conjeturou o quanto ela influenciou o governo de Nestor? Bem, até então ela fora apenas a primeira-dama...

Hoje, o Brasil tem também sua primeira presidente mulher, Dilma Rousseff, eleita democraticamente, e alguns fatos pontuais direcionam a minha reflexão. Dilma pode ser apontada como a “mulher de alguém”? No sentido político, talvez, uma vez que se elegeu apoiada no carisma de seu antecessor, e na promessa de continuidade de seu trabalho. Mas, por sua biografia e histórico político, não deve ficar por muito mais tempo à sombra de Lula, seja isso bom ou mau para a sua popularidade.

Fato é que a nova presidente já procura uma identidade própria, para seu governo e para sua persona pública, e para tanto apoia-se justamente no fato de ser mulher, fazendo questão de ser chamada de presidenta, e nomeando um grande número de mulheres para as mais diversas funções, desde a segurança da posse até o comando de ministérios importantes, como o do Planejamento. Espera-se que cada uma delas comprove sua competência, ou as críticas com certeza irão resvalar para o machismo característico da sociedade brasileira, que já transpira em nossa imprensa desde a posse da presidente. Houve alguma referência pouco respeitosa ou preconceituosa em relação a Dilma? Não, refiro-me a Marcela Temer.

Afinal, será o papel da mulher tão subestimado no Brasil, que na histórica ocasião da posse da presidente as atenções têm que se voltar para a jovem e loura esposa do vice, imediatamente rotulada com o óbvio e pouco honroso título de “musa da posse”? Haverá que se buscar sempre uma musa disso ou daquilo, para lembrar às mulheres que, não importa o quanto realizem profissional e politicamente, serão sempre vistas como objetos e avaliadas pelos critérios mais fúteis? Homem poderoso, esposa-troféu, é a história mais antiga do mundo, que prossegue em tempos de pós-feminismo... Será que teremos que ser sempre a “mulher de alguém”?

Cristina dos Santos Monteiro

domingo, 21 de novembro de 2010

Homofobia ou liberdade religiosa?

Tramita no Congresso Nacional, já aprovado pela Câmara dos Deputados e dependendo de aprovação do Senado, o PLC 122/2006, Projeto de Lei que criminaliza a homofobia. À luz de recentes acontecimentos largamente noticiados pela imprensa nacional, cabe uma reflexão acerca da existência de tal projeto e, sobretudo, das reações que tem suscitado.

No dia 10/11, a gerente de um cinema de São Paulo chamou a polícia ao ver dois rapazes se beijando, um de 13 anos e o outro de 18. O maior foi preso e responderá por estupro de vulnerável, podendo pegar até 14 anos de prisão.O menor alegou que o beijo foi consentido. E se ele fosse uma menina, haveria a mesma reação?

O dia 14/11 teve duas ocorrências igualmente chocantes. Na Av. Paulista, em plena manhã, cinco rapazes agrediram dois outros gratuitamente, a golpes de bastões de lâmpadas fluorescentes (???), socos e pontapés. Suspeita-se que motivados por homofobia. À tarde, no RJ, após a parada gay de Copacabana, militares deixaram um quartel exclusivamente para abordar três jovens homossexuais que conversavam em um parque próximo, baleando um deles no abdômen.

A homofobia é uma questão muito específica, merecendo um tratamento diferenciado por parte dos legisladores, tanto quanto o racismo ou a violência contra a mulher, dois outros graves problemas ainda sem solução no Brasil, devido a uma mentalidade patriarcal, machista e retrógrada, que persiste sob o disfarce de uma nação “liberal” no pior sentido da palavra.

O PLC 122 vem sofrendo ataques de uma virulência inacreditável, sobretudo de instituições religiosas, que alegam que ele cercearia a liberdade de culto, prevista na Constituição Federal. Como se sabe, várias religiões condenam a homossexualidade, muitas inclusive se propondo a “curá-la” por intervenção divina. Certo, cada um é livre para crer naquilo que se encaixe melhor em suas convicções, mas sexualidade é questão de foro íntimo. E nenhuma religião tem o direito de demonizar qualquer conduta, se isso significar incitar os fiéis contra quaisquer grupos identificáveis na sociedade. Apenas nesses casos a lei seria posta em prática. Mas basta um giro ligeiro pelo Google para constatar que a maior mobilização, nas formas mais agressivas possíveis, vem de grupos que pretendem erigir a homofobia em bastião da liberdade religiosa no Brasil. País, vale lembrar, onde o must da mídia são duas lésbicas fake nas páginas da “Playboy”...

Enfim, a mim parece que a mera existência de mais uma palavra que signifique a discriminação de um ser humano por outro (HOMOFOBIA), ao exemplo de ANTISSEMITISMO, RACISMO, já é o suficiente para que se busquem providências, no campo da educação, da mobilização social e, por que não, legal.

Vamos lá, galera, OPINEM!!! Abraço.


Cristina dos Santos Monteiro

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Temos aquilo que merecemos?

E o Tiririca foi eleito

E o que era para ser apenas uma brincadeira (até de bom gosto dependendo da circunstância) acabou virando realidade. Um palhaço foi o candidato mais votado para o cargo de deputado federal. Não desmerecendo a profissão de palhaço, já que no quesito risada, são eles que nos fazem lembrar a época de criança, momento em que (de novo) somos libertos e voltamos a ter brilho nos olhos. E não que ela seja pior que muitos dos que foram eleitos. Infelizmente, se colocarmos tudo na balança, encontraremos coisas piores. Mas o fato é que muitas pessoas fizeram essa escolha com a desculpa de estarem dando "um voto de protesto". É realmente sabemos protestar.
Protestamos contra a destruição do planeta... e jogamos papel na rua.
Protestamos contra a desigualdade... mas queremos sempre tirar vantagem em tudo.
Protestamos contra a discriminação... mas sempre olhamos diferentemente o outro.
Protestamos contra a fome... e desperdiçamos comida, bebida...
Protestamos contra a miséria... e compramos o que está na moda, independente do preço.
Protestamos contra o analfabetismo... e não temos a mínima paciência de ensinar nem nossos filhos.
Protestamos contra a corrupção... mas somos corruptíveis nas menores coisas, a única diferença é o montante.
Protestamos contra tudo e contra todos... não contra nossos próprios atos.
Protestamos contra o governo... e escolhemos como nosso verdadeiro representante uma pessoa que não tinha proposta, diretriz, plataforma, nada. Tinha sim um bordão: "Vote no Tiririca, pior que está não fica" ou "O que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto".
Não adianta em nada se indignar pela corrupção, pela destruição do planeta, pela miséria, aliás, por nada. Merecemos isso na medida em que somos miseráveis de coração. Pobres em consciência. Discriminadores do diferente. Corruptos contra os verdadeiros princípios.
Se ao votar como protesto você pensou que a urna era uma latrina, onde poderia deixar toda a titica (olha o trocadilho com o infeliz) que há em você, não se esqueça: são quatro longos anos sem poder dar descarga. São quatro longos anos onde terás que tampar o nariz para a sujeira que vem de você.
Não, eu não espero que o Congresso faça algo, que prove que o Tiririca é analfabeto e por isso não pode assumir sua cadeira. Não... ele foi ELEITO e é a imagem e semelhança de mais um de milhão de eleitores, assim como tantos outros que já ocupam as cadeiras do Congresso há tempos. Infelizmente, esse é o triste retrato de nossa sociedade.
Temos aquilo que merecemos?